segunda-feira, 30 de junho de 2014

Prisão

Pare de me olhar!
Pare!...
Não faço nada de mais para que viva a espionar-me.
Mesmo se fizesse, não deveria me reparar...

Reparas minha barba... sem fazer;
Reparas meus cabelos... brancos;
Reparas meu jeito... de andar;
Reparas minha posição... política.
Isso não é educado.
PARE DE ME OBSERVAR!

Que desastre fiz eu à sua barba?
Que maçada causei aos seus fios de cabelo branco?
Que tragédia propus ao seu jeito de andar?
Que manifesto negativo fiz eu à sua posição política?
Sou educado.
Além do mais,
NÃO TENHO TEMPO PARA OBSERVÁ-LO.

PARE DE ME OLHAR!

Isso me atazana...
Me atordoa.
Ah! O que fiz para merecer tamanho castigo?
O que faço de diferente para que vivas a espionar minha vida?

Dá-me a palavra-chave para que possas desistir de me atordoar.
Dá-me, por amor de Deus, uma oportunidade de fugir...
Fugir para longe de ti e dos seus descendentes.
Ah! Não mereço isso...
Não mereço ser observado feito uma celebridade.
Quero fugir!
Quero ser livre como um pássaro...
E voar!
Voar sem saber onde ir
E sem ter ninguém para fotografar-me,
A não ser os observadores de aves
(Que só quereriam meu bem).

Não aguento mais.
Sei que sou louco,
Mas isso não é motivo para que vivas a espionar o que faço de "errado".

As coisas boas, ignoras...
O que há de "ruim", comentas e criticas.

Vá para o inferno...
Deixe-me voar!
Irei para o céu.

Não o céu que crês,
Mas para o céu material,
Que todos veem.
O céu com nuvens brancas
Postas por cima de um azul cintilante.
E que quando anoitece, fica escuro e carrega em teu leito, a Lua
E em teu lençol as estrelas.

Solta-me da gaiola que propõe-me.
Solta-me desta vida inútil que levo...
Sou preso, e não vejo.
Sou cego e não digo nada a meu favor.

Agora, enxergo e manifesto minha opinião...
Minha ordem.
Pelo enxergar, conquistarei a liberdade...
Enquanto não deixar-me sair daqui,
Atazanarei-te, olhando e observando-te.
Fotografando cada passo teu.

Veremos então quer ficará preso...

Borba Figueiras - heterônimo de Simon-Poeta

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