sexta-feira, 13 de junho de 2014

Opoente


Por que humilha-me tanto assim?
Por quê?
Não te faço nada.
Diz aos outros que sou uma desgraça,
Uma tragédia,
Uma lástima...
Repito, não te faço nada.

Diz a todos que sou errôneo e falho e pecador...
Diz que sou um empecilho na tua vida
E que acabo com teu casamento.

Diz a todos, sem vergonha nem medo,
Que sou imprestável e que nunca ajudo em nada...
Sem estou lá a atrapalhar as coisas que estão dando certo.
Mesmo quando tento ajudar, acabo atrapalhando.
Ah, que fiz eu para ti, meu pai?!
Que fiz eu para seus santos pretos e deuses falsos?
Jamais o desprezei,
Jamais o desejei mal nem sequer falei de ti para os outros;
Mas tu, nojento e horrível como és,
Não aceita diferenças.
Não sabe viver com pessoas com ideias e atitudes divergentes da tua.

Depois que falastes mal de mim até rebaixar-me,
Dizendo que não sou humilde,
Que não estou nem aí para os problemas da sociedade,
Diz que sou um poeta e que vivo a brincar com as palavras
E sorrir com a poesia.

Não te entendo, homem imbecil...
Não te entendo.
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Dizes que és presente na minha vida,
Que investes nos meus hobby's,
Mas, na verdade,
Sua verdade é falsa.
Sua verdade é sua e mentirosa
E não suporta outras pernas longas
Nem outros destinos opoentes ao teu.

Diz a todos que não és contra o amor diferente,
Mas na hora da prática, foge-te esta ideia
E dispões chicotadas aos homens
Como se fossem o Cristo;
E na verdade,
Eles o são.
Quem bate e maltrata,
Machuca e corrói o ser desses homens que só querem amar,
Maltrata ao Cristo que acredita.
Se não acredita em Cristo, maltrata a ciência e a lei da humanidade.
Se não acredita na ciência, maltrata a ti mesmo...
Pois um dia,
O mundo girará...
E tudo mudará.
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NÃO SE PREOCUPE, POIS UM DIA
O MUNDO GIRARÁ
E TUDO MUDARÁ...
TUDO MUDARÁ.
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Não investes um tostão furado com minhas habilidades...
Nem sequer vê-as.
Como és capaz de dizer que faço bem
Se não sabes como faço?
Ah, homem inútil...
Toma tua inteligência e guarde-a no cérebro.
Use-a.

Enquanto estás na sala,
A beber e sorrir com seus amigos;
Falar para eles que sou um bom escritor,
Um bom poeta;
A fazer tua mulher de escrava,
Estou aqui.
Ah, estou aqui
Falando mal, muito mal de ti.
Caso algum dia, alguém leia esta declaração,
Tomará-a como testamento e como prova.
Saberá o quanto é inútil o homem...

Fala mal de mim, aos que nem conhece...
Critica-me, depois cospe-me na tez;
Mais ou menos dois ou três
Estão ouvindo-te.
Mas uma multidão incalculável de homens revoltados contigo,
Estarão lendo-me.

Borba Figueiras — heterônimo de Simon-Poeta

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