segunda-feira, 30 de junho de 2014

Noturno


Peguei o papel,
— Sim, ele, o único que me entende,
Me ouve e me respeita,
O único que me invade as entranhas
E que me usa —.
Sou influenciado por ele.
Derrubei-lhe a caneta...
Borrões de tinta surgiam
aos montes.
Mas preferia chamar aquilo,
Aqueles borrões de tinta,
De letras.

Lembrava-me de ti,
Outra vez — como sempre —...
Mais outra vez!
Risquei-te e desenhei-te em meio às palavras...
Fotografei-te linda
— como és —
E apaixonada por mim
— como... bom... não posso dizer sobre isso —,
Mas descrevi-te lindamente ao papel...
Ele me parabenizou:
— Uma mulher linda que te ama... quanta sorte!
Dialoguei com ele até às quatro da manhã.
Foi bom... libertador!

O que disse sobre você
é estupendo — em modéstia parte —.

(...) "E quando a vi, andando na minha direção,
Estremeci-me e petrifiquei-me...
Nunca vi tamanha beleza assim.
Ela então me disse com sua doce voz:
— Chama-me de tua mais uma vez
e usa-me em favor de nós dois.

Levei-a para minha casa
— antes nossa —
E deitei-a na cama.
Despi-a lentamente enquanto a beijava.
Lambia seu umbigo e deliciava-me em teu ser.
Nunca senti algo assim...
Já amei outras vezes
— com ela, inclusive —,
Mas cheguei ao orgasmo até antes de gozar...
Antes até de tirar minha calça.

Agarrava-a tenazmente a mim.
Meu peito repleto de pelos
colidiam com seus delicados seios.
Meu pênis encontrava-se com sua bocetinha
e voltava...
Continuamos no mesmo ritual até que meu pênis
regurgitou prazer líquido... e era branco.
Ela gemia com sua voz fina e delicada
E eu gritava grosseiramente:
— Mais um orgasmo... Santa Maria Madalena!

Pois é...
Até hoje
Lembro-me de tudo.
Até de quando se deitou em meu peito,
Suspirou bem fundo
e sussurrou:
— Como é bom te amar!

Lembro-me com uma tristeza infinda,
Pois, com essa lembrança prazerosa,
Sou obrigado a recordar também
Que ela está fazendo e falando o mesmo agora,
Porém, com outro homem." (...)

Depois de ouvir tudo isso,
O papel chorou...
A caneta, que também estava ouvindo,
também foi aos prantos.
— Uma história de amor como essa
não é pra qualquer um...
Tem que ser muito forte! — disse eu, despedindo-me
dos meus ouvintes.

Simon-Poeta

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