segunda-feira, 30 de junho de 2014

Metamorfose


Por que todos os dias as coisas mudam?
Se antes, ficassem intactas ao menos um segundo...
Mas toda hora, tudo muda.
E se não muda não é nada.
Nada no mundo nem nos céus,
Nada no mar e nem na terra,
Nem nos sonhos e nem na realidade,
Nem no concreto, muito menos no abstrato,
Nada na imaginação nem nos atos,
Nos encontros, quiçá os desencontros?
Nada. Nada no nada.
A soma mais completa e mais imensa das coisas
— Aquela que é infinita —
É quando se adiciona o nada a fazer ao nada a declarar.

Quando não se tem o que fazer,
Com certeza estamos fazendo algo,
E quando não se tem o que declarar,
Com certeza pensa-se em coisas que não se pode dizer.
Isso é bom para a humanidade.
É bom para a intelectualidade.
Quando se pensa, exerce-se partes indecifráveis do cérebro,
Que, com a ideologia
São descobertas pelo homem e pelo deus,
Pelo santo e pelo pecador,
Enfim...
Por tudo e por todos que existem ou não.

Ficar consigo mesmo não é ficar sem nada para fazer.
É pensar,
É criar...
É viver.

Se todos ficassem mais tempo consigo mesmos
O mundo seria mais racional.
Então, prefiro ficar sem fazer nada
Não declarando nada
À viver na ignorância proposta pela sociedade.
Mudar de opinião não é covardia,
É abrir-se para novos conceitos.

Eu mudo de opinião pois penso.
E às vezes penso: "Por que sempre estou mudando de opinião?"


Borba Figueiras — heterônimo de Simon-Poeta

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