sexta-feira, 13 de junho de 2014

Carta para meu bem


   É... é verdade que tento te esquecer todos os dias, mas não consigo. Não estou acostumado a dormir sozinho, viver sem carinho, sem cuidar e ser cuidado. De fato, não nasci pra viver longe de ti. Mas também não se vanglorie... do mesmo modo que não sei viver sem você, tenho certeza que precisas de mim pelos mesmos motivos; pelas mesmas façanhas. Acho que, por esse motivo —e também por outros—, mas, principalmente por esse motivo, somos chamados de casal. Porque precisamos um do outro. É... precisamos sim.
Já tentei —mas não consegui— viver sozinho. Sinto uma coisa estranha, um desconforto danado; acho que é a saudade que a distância me causa. Por isso, —e também por outros— me apego tanto a ti.
   —Toma logo esse remédio. Quero que fique bem. — Digo eu, cuidadoso.
   Mas insistes em não tomar. Então, brigamos...
   Mais tarde você me pede um beijo e eu —com raiva— não dou. Vais até o armário, pega o remédio e toma-o na minha frente. Sorrimos juntos, como se estivéssemos num circo —acho até que estamos—. É assim nossa vida, rotineira... não acho a rotina cansativa. As pessoas que fazem da rotina um cansaço merecem ser descartadas da nossa vida; já as que fazem da nossa rotina um jeito organizado de viver, merecem não só nossa organização, como nosso amor.
   Te dei o beijo que me pedistes —acho até que implorastes— e tudo acabou normal. 
   Mas só não consigo entender porque todos os dias precisamos brigar por causa de um maldito remédio a ser tomado? Faria isso, parte da nossa rotina? Ah, não sei. E se soubesse, e se a resposta fosse sim, eu deixaria essas brigas mesquinhas permanecerem em nossos dias, só para ter a sensação de ser mais amado por ti a cada dia que passa. Pois todos os que passam, acontece uma mesma briga.
   Acho até que isso é bom. Faz bem para o entendimento do casal —no caso, nós dois—. Mesmo se for ruim, daremos um jeito de reatar nosso amor. Nós, juntos, tudo podemos.
   Até hoje tento te esquecer. Mas nunca consegui. Será que depois disso tudo, depois dos problemas, das críticas, dos beijos, dos abraços, das noites mal dormidas cuidando de você —devido àquela enxaqueca terrível— algum de nós conseguiremos esquecer o outro?
   Bom, não custa nada esperar o tempo responder... e se ele disser que não, que não nos esqueceremos do nosso amor, reataremos tudo outra vez. Mas não custa nada tentar...

Tchau, de seu amor, Pedro.
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DIAS DEPOIS...

Não consegui viver longe de ti. Tive mesmo que voltar... me aceita de novo?
—É lógico que sim, por que a dúvida? Sabes que te amo.
Não sei... a vida é questão de costume. Me acostumei com nossa rotina.

José Álvares — heterônimo de Simon-Poeta

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