terça-feira, 27 de maio de 2014

Retrato do Mundo


ACREDITE EM MIM: Alguém disse que amou!
Alguém declarou seu amor por outra pessoa...
É verdade, não minto, nem sequer menti.
Alguém disse que amou uma pessoa;
Mas o mais incrível, ainda está por vir:
Ela se disse errante e carnal
Também disse que cumprimenta as pessoas
Quando as vê na rua.

Quando alguém passa por nós,
Abaixamos a cabeça
E fingimos que ninguém passou,
nem sequer o vento.
Quando alguém nos cumprimenta,
Olhamos assustados
E pensamos: — O que este infame pensa que está fazendo?
— E não o cumprimentamos de volta.

Nós, que desacreditamos em tudo
Até na própria vida,
Vamos acreditar que alguém,
nos tempos de hoje,
Declarou seu amor por todas as pessoas?

"Ah! É tão inútil se iludir..."
— Diz-me assim.
Mas não, não me iludo
Digo a verdade.
Alguém declarou seu amor por todas as pessoas.
Sei que é praticamente impossível de se acreditar,
Mas é verdade.
Acredite em mim (acredite, por favor, acredite em mim)
Podes acreditar no que eu disse.
Acredite!... Não se quiser, mas se sua consciência deixar.

Alguém disse que ama a todos...
Até (principalmente) aos que lhe fazem mal.
É verdade, juro que, neste mundo imbecil
Onde tantos ladrões roubam dinheiro de joias
Alguém declarou seu amor
Alguém disse que ama.

Nós, todas as vezes inutilmente desumanos,
Nos endeusamos
E dizemos que não erramos.

Quando olhamos o erro de alguém
que confessa que errou,
Tomamos liberdade de falar mal destas.
Isso não é desumanidade,
O endeusamento de tudo que é errante,
A purificação indevida do que se é pecaminoso,
A divindade mal colocada e servida, do que fazem de errado.

A pessoa que se declarou
Vive em um mundo onde ninguém pode falar;
Ninguém pode ouvir;
Ninguém pode chorar;
Ninguém pode sorrir.
Não existe alguém que sinta dor
Pois todos se endeusam
E dizem que não erram.
Apenas a pessoa que se declarou
Soube o que é ser humano...
Apenas ela, soube o que é viver fora desse mundo de censuras
Onde ninguém vê
Ninguém fala
E ninguém ouve.
Este mundo se chama Terra.

Borba Figueiras — alter ego de Simon-Poeta

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