quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sei...

Sei que quando olho pela janela,
Vejo brigas na rua,
Tão singela,
Mas continua,
Na ruela,
Ao lado da porta,
Da porta dela.

Sei que quando tomo um banho quente,
Minh'alma não está mais presente...
Se fez de fetiche pra assombrar,
Os corações tristes que vivem a chorar.

Sei que quando tomo um vinho e fumo um charuto,
Meu bolso enxuto de euros e dólares,
Compram por si só pulseiras e colares,
Meu dia, como todos, mutuo.

Sei que quando lembro-me de Deus,
E não acredito em ser tão grandioso,
Sorrio das pessoas que dizem sentir o gozo,
De ser um fiel obediente aos seus.

Sei que quando por apenas um segundo,
Fujo desse mundo,
E procuro não mais voltar,
Sabes que as barreiras do futuro,
E as passagens do presente,
Me fazem recordar,
Que os recortes dessa vida,
Ainda estão a picotar.

Quando me esqueço do que antes vivi,
E me lembro do dia em que não conheci,
Sinto-me em um déjà-vu...
Confuso... me mato.
Caído em meu prato,
Está o desgosto,
De um amargo almoço,
Que um dia comi com grado.

Neste mesmo dia,
Cansado,
Aprendi que tudo era apenas um nada,
Uma oportunidade desejada,
A quem quer mudar de vida.
E, como o nada é mais que o tudo,
Continuo nesse mundo,
A sofrer por quase tudo,
E inteiramente pelo nada.

Sei que não entenderás meu modo de pensar...
Serei eu hipócrita ao tentar explicar,
A verdade torta,
De uma vida morta,
Sem sentidos e sem porta,
Que se possa atravessar.

Simon-Poeta

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